sábado, 24 de abril de 2010

Sobre o sussurro das plantas

A imensa brigada de centauros
galopando sob a luz da meia noite;

Estrelas acocoradas no parapeito da janela
entreaberta
disputando espaço e há muito tanto espaço.

Como dando razão ao próprio nome,
fininho, fininho, os pequenos e
grandes e médios matos das beiras da
estrada, mata ciliar, margem ciliada,
do rio que vai do nada a qualquer lugar

não desatem os nós, não desmatem, não erodam
as esteadas escarpadas, as grutas não-finalizadas,
o leito dos rios, rios d'água, asfalto corre até
o mar, rios d'água, bosque de harpias, imensas,
e esfomeadas.

As portas e janelas e botas e panelas
todas escancaradas, jogadas, abertas e
atiradas

todas escandalosas, petrificadas

tudo deixado pelo hermitão de pés descalços
que caminha nas nuvens brancas e obscuras de
cascalho.

Sapos em contratempo, coacham,
e existem cigarras gemendo alto tenor
em alto teor de um sax fantástico
e fantasmagórico no pântano
raso e desmembrado.

O couro ultrapassa a relutância da não-carcaça,
mantém firme a consistência e supera a o leão
da Neméia, de impenetrável couraça, meu couro,
meu couro, meu nada.

O redemoinho louco, a passagem aberta
pelo kraken ao atravessar o semáforo fechado,

sob a marca dos centauros e penas abandonadas
por todas as estrelas mortas nas calçadas.

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