sexta-feira, 9 de abril de 2010

Sílica

Como quando conquistei
a desesperada esperança

dormindo calcário e perdido
nas crateras da lua

de palavras mudas,
pele fria e coxas nuas,
pressionando o corpo contra
o corpo

como faz o vento
na retirada branda do fôlego
da superfície oceânica

do mar entrecostas

Como quando reaprender
a surdez fixa das estrelas,
seres gritantes em seus rastros
de luz morta do espaço

de cascos em cólera
marcando cada uma das conchas
na macia e úmida areia da
praia

quando descubro algas
planando sem razão aparente

o silício ferindo a membrana
do silêncio, tão terrível,
inevitavelmente amado,

Como quando conquistei
a desesperada esperança.

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