sexta-feira, 9 de abril de 2010

Ligação

Que de mais
cismar com os pássaros
e asas que brotam branquinhas

na indiferença azul-celeste
na putice amarga dos cristais
brotados das folhas verde-vivo.

Que de mais
cismar com versos
e carinho intermitente do pudor

deslizando como gotas maliciosas
ao redor dos bicos dos seios

refazendo o caminho perdido
na distância insignificante
da partida.

Que de mais
cismar com os vermes e larvas
e coisas da terra barrosa

ou negra, ou vermelha, rubra,
esbranquiçada e obscura,
de raízes perfurantes buscando
os sais fundamentais

no suor e no gozo febril,
na inconstância terçã
do desejo.

Que de mais
cismar com cada significado
e impreterivelmente
com avacalhações

e passos errados de valsa;
incondicional no erro e na
discórdia

na conjunção disjunta, eterna
e brilhante dos elementos químicos

simples:

trans-mar
cis-mar

mar adiante,
não adiante, pontes de hidrogênio
rompidas na respiração

memorável das brancas espumas
do cis-mar:

a-mar.

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