Suas nobres mãos de areia
modelando tantas mil sereias
seu riso de malícia, seus olhos
fechados, a pele nua
e ao mesmo tempo escondida
num paraíso disforme de
lençóis freáticos, de orvalhos
de novelos de água salgada
Os castelos ressequidos e
os calabouços imersos em farpas,
abraçados aos dedos em coisa
qualquer do vento
cheio de maresia, incontestável
maré de silêncio e gozo,
as covas marítimas e
a intermitência sorrateira
do tempo
Suas nobres mãos de areia
suas pálidas e rosadas
bochechas
são praias, são praias
e todo o litoral perdido
banhado do penhasco
mortal da beira da cama
e te amo, amo, permito
a perfuração corpórea
no mergulho absurdo por entre
as obscuras marés de seus braços,
a superfície corada
a morte infiel dos ouriços
permanentes de vida e descrença,
o pêlo macio da relva perdida,
a mata escondida no soturno solavanco
crente ao desejo, sutil e pérfido
final
Suas nobres mãos de areia
modelando calabouços de frestas
e conchas dependuradas nos cabelos
as algas flutuantes e o peso
rememorável de cada um de nós
num paraíso disforme de
lençóis freáticos, de orvalhos
de novelos de água salgada
de praias, de praias,
de atóis.
Nenhum comentário:
Postar um comentário