quinta-feira, 8 de abril de 2010

Arrastão

Pescador de
mãos morenas

de dedos marcados,
calos, colos, laços,

da madrugada, puxa,
a rede clarinha
enterrada
na areia da praia

areia fininha,
areia, de nada.

Os barcos, barquinhos
distanciados, corroendo ao longe,

as estrelas, do mar, presas,
às pressas, arrastadas pelo peso das
marés, e gaivotas dos pesares

dos mares, dos lares
dos ares, sem pares, sem pés,
sem lares ou quaisquer coisas
sem azul imensidão em verde

Velas ao vento,
o pano ex-branquiçado,
agora encardido, sal, o sal
dos fiapos de tudo
decapitados e perdidos
no mundo.

O pescador de
mãos morenas

arrebata molhado

e arrasta, puxa, resgata
o nascer do sol

de dentro das águas escuras
da madrugada.

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