domingo, 28 de março de 2010

Balada pseudobeat do Carrossel sem paradas

O que existe a se dizer
sobre a noite dos imortais?

Eu que não sou eu mesmo
aqueles dedos estirados
contra o vento, os bêbados
perambulando e os gatos pardos
miando - no (ó)cio - seus segredos

as órbitas incandescentes
de um fogo castanho e cruel
e tão suave e tão sutil e
tão melodramático sobre as
coisas que aconteceram no domingo
passado

O que existe a se dizer
sobre a noite dos imortais?

Eu que não sou eu mesmo
aquelas bobagens sem sentido
as frases recicláveis e o vidro
tilintando das luzes apagadas
dos prédios, das putas, e
das velhas espaçonaves

as bocas cheias de espaço
e vazias de nada e pulsando
palavras que não significam
coisa alguma e coisa nenhuma e
tão melodramático sobre as
coisas que aconteceram no domingo
passado, o que existe

a se dizer
sobre a noite dos imortais,
poetas, vagabundos, bêbados,
soterrados, do vazio,
do vazio, do nada.

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