Preciso fingir do tempo
que o tempo passa logo
que o tempo passa rápido
que a sucessão de dias
passa feito sucessão de segundos
e cliques vagabundos
tiques e taques de ponteiros
nos relógios mortos nas paredes.
Preciso fingir da cabeça
que eu mesmo cresça,
que eu mesmo apareça,
que eu mesmo amadureça
que a multidão de experiências
passe feito turbulência
e chacoalhe, com toda e qualquer
falta e excesso de decência
religiosamente na ciência
cientificamente na fé,
clemência, indulgência,
não-prudência.
Preciso fingir que finjo
até que perceba que não minto
só vivo, sou vivo
sol vivo.
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