Olha; menina.
Olha. Olha nos meus olhos.
Prometo não te despedaçar
em centenas de milhares de pedaços
inócuos e defasados, de te espalhar
pelo ventre nu de um rio
e remediar luciferina sem piedade
brilhar de forma sobrenatural
no rabicho dos vultos que subtraem
a episcopal serenidade de mim mesmo,
porque já o fizeste.
Olha; menina, que
Agora sou parte
das mãos membranosas da Terra
e de seus dedos em raízes, brotando
tempestades de galhos e rochedos
nesse mundinho irracional e tão bonito.
Olha; culpa tua.
Culpa tua esse desespero,
esse mergulhar de cabelos
de cada fio abissal de cobre
dos seres indescritíveis e inacreditáveis
que nele habitam; do sorriso sereno
e afável, dos dias antes-tristes
dos segundos agora-amáveis.
Menina; olha, que
agora não passo de um corpúsculo,
minúsculo, um planetinha vagabundo
ao redor de tuas duas órbitas
de infinito gravitacional.
Olha, com as mãos nas minhas
com a pele na minha
com a vida na minha
com o mundo no meu.
Olha, menina,
olha. Olha que bobo
sou eu.
Nenhum comentário:
Postar um comentário