domingo, 31 de janeiro de 2010

Abril

No momento do tudo
o todo desfez em nada

as palavras ganharam vida,
vida real e sangue por
suas veias inexistentes

o silêncio ecoou no ruído
na inverossímel realidade
do que havia de
se dizer

a boca encontrou a boca
no caminho da verdade

o desejo tornou-se
pretensão do sentimento
de ser completo e vazio,

quando distante dos dedos
as mãos encontram
os vestígios despejados
em quaisquer direções,

os quadris resistem tão
firmes e insistem na junção
da natureza incompreensível

de se tornar um só
em que se morre breve
só pra viver um pouco
mais,

no instante das pulsações
fora de compasso

do oxigênio negado aos
pulmões

do redor ser negado
à existência

no momento do tudo
em que o todo desfez em nada

dos olhos sem ver
e dos ouvidos sem ouvir

sem ontem
ou antes
e depois

E só sem estar sozinho
na insegurança de se
compreender por palavras
caladas, calem-se,

e suas veias sanguinolentas
flutuam imersas no sal,
como pedras que se movem
no horizonte dos desertos

e não conhecem fim.

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