sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Luto

Razões,
muitas levam a crer
e tantas outras a
não crer
neste exato momento.

Você, meu amigo,
minha amada, meu pai,
minha prima, meu irmão,

se foi.

Não a nada de incomum
no desespero da falta
que você ainda não fez
por completo,

nas coisas mais simples
e ofuscadas da vida,
na angústia do silêncio
que ocupa a sala vazia.

Você, ainda não creio,
ainda não aceitei

mas bulhufas aos meus
entendimentos.

O mundo profana sua falta,
o céu continua azul,
os carros ainda passam na rua,
os ponteiros do relógio ainda se movem
o vento ainda carrega folhas das árvores

e a tarde continua insensível como sempre,
mais ainda agora:

o mundo não parou.

E como todos que lhe dão por falta
sinto como não tivesse dito que te amo,
que te adoro, que te admiro,

mas descubro que as coisas
banais da vida já fazem tudo isso:

o céu continua azul,
os carros ainda passam na rua,
os ponteiros do relógio ainda se movem
o vento ainda carrega folhas das árvores

e a tarde continua insensível como sempre,

tudo por você.

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