Tá tudo bem com a situação? Você consegue separar as coisas? E achava que podia. Mas, bem, esse lance de certezas absolutas nunca foi o meu forte. De cigarro na boca e olhando o relógio da parede pensar sobre tudo aquilo talvez não me desse nenhuma solução. Voltei até o quarto e peguei o caderno do projeto atual guardado debaixo da cama. Mônica continuava dormindo com o lençol cobrindo do umbigo pra baixo, os tornozelos de fora e parte do cabelo junto do seio esquerdo. Seus seios eram pequenos e firmes e cabiam com folga em minhas mãos e tinham o tamanho perfeito pra minha boca. Mas não era o suficiente, queria que ela sentisse pelo menos interesse em mim. Voltei pra cozinha e li tudo. O enredo estava provavelmente na metade. Tudo extremamente bem descrito e trabalhado. Real. Uma grande merda aquilo ser tão bom. Era material pra qualquer tarado regular socar uma no escuro e depois continuar com a história.
Coloquei o caderno no lugar e sentei na beirada da cama. Talvez fosse melhor continuar daquele jeito. Era uma garota ótima. Do que eu poderia reclamar? Até que eu não pudesse mais me conter a situação permaneceria a mesma. Ela continuava dormindo, na mesma posição e respirando do mesmo jeito. Era estranho que eu a amasse daquele jeito e que as coisas permanecessem as mesmas de antes e que só eu então percebesse quão incríveis elas sempre foram. Era estranho. Era estranho perceber que eu sempre fora um canalha solitário junto do céu alaranjado do centro velho e que minha disposição não era mais a mesma. Que minha predisposição pra cafajestagem já não era a de sempre. Coloquei as pernas pra cima do colchão e esfreguei os olhos. Duas da manhã. Deitei ao seu lado e encostei o rosto no pescoço morno. Melhor mesmo era não pensar em porra nenhuma. Fechei os olhos e decidi ir embora só no dia seguinte. O amor é mesmo um cão dos diabos.
Eu acho uma puta falta de sacanagem este blog parado. Ok.
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