domingo, 7 de novembro de 2010

Maré

Ela me amava,
amava profundamente

como quando se ama
a distância só por ser
triste. Tão profundamente
quanto o mar pode

e não pode ser.

Suas mãos eram duas
âncoras pesadas que me
mantinham no litoral
e próximo ao oceano.

Meus dedos lhe prendiam
os dedos e passavam fio
por fio várias criaturas marinhas

que eu mal ouvira falar.

Até então só conhecia
certas espécies de tartarugas
aquáticas e peixes e águas-vivas
de longe. Foi assim com

o amor, foi assim com a saudade,

tão profundamente e agora
respirando distante e longe de
casa

tão naufragado
tão fora d'água.

Nenhum comentário:

Postar um comentário