quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Quando favores são obrigações (continuação)

Nossa parceria - chamemos assim- começou quando ela precisava escrever sobre sexo. Graças a nossa recém adquirida cumplicidade era bastante cômodo que me pedisse um favor daqueles. E eu não poderia negar já que ela precisava de material. E eu também, mesmo que em sentidos diferentes. Não era do tipo que acabava logo. Os dois aproveitavam bastante, cada um com sua devida preocupação. Durante uma de nossas conversas, Mônica comentou rapidamente sobre a necessidade. Depois de um tempo eu já sacava a situação. Já te chuparam? Já sim, mas acho que nunca bem o suficiente. E então ela me chupou como provavelmente uma chupada de verdade deve ser, mas nunca é. E enquanto fazia todo o trabalho e eu lhe segurava pelos cabelos pra que não lhe caíssem na frente, falei que estava combinado. E era a intenção dela.


O esquema era simples. e prático. Conversávamos como sempre fazíamos, bebíamos e fumávamos um pouco e depois fodíamos. Era a continuação de nossos encontros. Era comer bolo e tomar café na lanchonete da esquina, comprar cigarro, pagar as contas, entregar trabalhos e trepar e fechar as persianas pra beber um pouco e um dos dois ir embora. No começo tudo certo. Mas diferente de qualquer outro cafajeste que há por aí acabei me apaixonando. Nossos encontros continuaram e eu tinha de mascarar da melhor forma possível a satisfação que eu sentia junto e dentro dela. Não era mais a satisfação de um pau necessitado. Era a satisfação completa que não fazia o menor sentido. Era entrar em parafuso ao perceber que era amor.

Um comentário:

  1. "Mas diferente de qualquer outro cafajeste que há por aí acabei me apaixonando"

    O que pode ser chamado de "cafajeste amador", se entende o trocadilho.

    (Por vezes pensei estar lendo Ruben Fonseca.)

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