E trocamos cartas, correspondências. Trocamos idéias, palavras, inocências, indecências. Sem nenhum CEP, caixa postal, remetente, destinatário, papel, envelope. Tantas cartas que deixamos de idealizar, e escrever, e mandar e esperar supostas respostas, checar a caixa, o correio, os papéis debaixo da porta. Não há necessidade. Estamos um ao lado do outro, sorrindo discretamente e o outro sabe exatamente o porquê, mesmo sem existir motivo aparente. Num apartamento vazio, cheirando a silêncio, pupilas dilatadas na fiação elétrica que zune nas paredes, a luz fraca trespassando a janela, o raio de poeira projetado nos móveis. Em algum lugar, qualquer coisa desconexa e solta, perdida do tempo e do espaço. Mas num espaço.
No quarto, em um dos quartos, são gargalhadas incrivelmente deliciosas, os músculos do corpo contraindo e relaxando. A respiração compassada, sem umedecer o seco ambiente de nada mais. Palavras contínuas, descontínuas, desconexas, causos, histórias, estórias, músicas, rotina, tédio, não-tédio, plumas, avenidas, jabuticabas, poesias, metrificação, Fernando Pessoa, forró colado, macaquinhos deslizando no assoalho, o piso estralando. E o pé de dedinhos maltratados, que, por alguma razão inexplicável, você acha completamente ‘fofos’, roçando nos seus pés, repelindo o contato de qualquer outra coisa que aquém ao nosso toque. E trocamos cartas, correspondências, idéias, palavras, inocências, indecências, sem nenhum CEP, caixa postal, remetente, destinatário, papel, envelope. Não precisamos disso. Só precisamos de nós dois. Em algum lugar, qualquer coisa desconexa e solta, perdida do tempo e do espaço. Mas num espaço qualquer.
Lindo, Lindo. Forte, forte.
ResponderExcluirVocê só me surpreende, sempre.
E eu tenho tanto orgulho de você, num sei lá por quê. <3
ei! posso usar um pequeno trecho? xD
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