terça-feira, 18 de maio de 2010

À noite

Uma escuna navega no vento.

As águas não são claras,
as distâncias são profundas

há lama nas bordas,
e muita espuma.

Espero a maré cheia,
esse mar invadir o céu

e incontáveis mulheres
- que eu as amo

esperando, tantas mortas,
seus maridos, soturnos
e derradeiros, que
estão navegando.

Uma vela branca reaparece
no oceano, margens circulares,
o tecido roído, os buracos
irregulares tingidos no
pano.

Uma escuna navega no vento,
semi mergulhada num escuro
desumano.

E eu deitado na grama,
olhando o céu,
observando o movimento.

A leste me distraio,
transbordam gotas de
Saturno,

ao sul crucificam
cardinales submersas,
pesos de papel,
crimes absurdos

ao norte magnífico
das florestas
do submundo.

Uma escuna navega
no vento,

até o sono
irreparável de
menos de oito horas,

até o monstro
marinho amarelo
engolir as esposas
dos penhascos,

até que não haja
destino irrefreável
aos trirremes do
Mediterrâneo.

Uma escuna desaparece

no lado escuro
do Pacífico.

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