Suas mãos imitam bandeiras,
e lenços e retalhos
e flamulam e tremulam
e dançam no vento.
Dança, Maria, Dança.
Na frente do espelho
sem vestido, vestida
só de pele e pêlo
trocando os dedos
e os tons de vermelho,
Maria.
Dança, seus ossos no
reflexo, seus búzios
no chão, seus passos
seus pés, suas mãos,
seus tropeços, seus
abraços,
Maria.
Resuma suas unhas
pintadas num calvário
de suor e lágrimas
e de mais nada,
Maria.
Abra as portas, as janelas,
as supostas dobras da saia,
as pernas, as frestas,
as coxas, as tardes,
as horas,
Maria.
Procurando a explosão
e o fim e o começo
pormenor soluço improvável
da existência do universo,
dança sozinha, deitada,
sentada, pelada,
sorrindo,
Maria. Maria.
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