(ler depois de O Desespero Da Piedade, de Vinícius de Moraes)
Tende também, meu Deus,
piedade
de todos os homens apaixonados
e mulheres esquecidas nos bondes
na falsa gritaria
e as reticências depois dos nomes,
dos crucificados em decúbito dorsal,
mas de braços fechados na cama
e abertos à poesia silenciosa,
num desespero de dar dó.
Nas casinhas suburbanas
e suas janelas entreabertas
com o chavão repassado
por detrás dos canteiros abandonados
nas réstias vivas de imprecisão
e as mórbidas águas vivas
que pairam entrededos
e sacos de pão.
E se piedade vos sobrar, Senhor,
tende piedade de mim.
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