terça-feira, 4 de maio de 2010

O Pós-Desespero da Piedade

(ler depois de O Desespero Da Piedade, de Vinícius de Moraes)

Tende também, meu Deus,
piedade

de todos os homens apaixonados
e mulheres esquecidas nos bondes

na falsa gritaria
e as reticências depois dos nomes,

dos crucificados em decúbito dorsal,
mas de braços fechados na cama

e abertos à poesia silenciosa,
num desespero de dar dó.

Nas casinhas suburbanas
e suas janelas entreabertas

com o chavão repassado
por detrás dos canteiros abandonados
nas réstias vivas de imprecisão
e as mórbidas águas vivas

que pairam entrededos
e sacos de pão.

E se piedade vos sobrar, Senhor,
tende piedade de mim.

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