Uma escuna navega no vento.
As águas não são claras,
as distâncias são profundas
há lama nas bordas,
e muita espuma.
Espero a maré cheia,
esse mar invadir o céu
e incontáveis mulheres
- que eu as amo
esperando, tantas mortas,
seus maridos, soturnos
e derradeiros, que
estão navegando.
Uma vela branca reaparece
no oceano, margens circulares,
o tecido roído, os buracos
irregulares tingidos no
pano.
Uma escuna navega no vento,
semi mergulhada num escuro
desumano.
E eu deitado na grama,
olhando o céu,
observando o movimento.
A leste me distraio,
transbordam gotas de
Saturno,
ao sul crucificam
cardinales submersas,
pesos de papel,
crimes absurdos
ao norte magnífico
das florestas
do submundo.
Uma escuna navega
no vento,
até o sono
irreparável de
menos de oito horas,
até o monstro
marinho amarelo
engolir as esposas
dos penhascos,
até que não haja
destino irrefreável
aos trirremes do
Mediterrâneo.
Uma escuna desaparece
no lado escuro
do Pacífico.
="pesadelo"
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