A tinta dos dias marca
meu corpo com as silhuetas
dos trevos espalhados pelos campos
e sempre que penso que não há mais
espaço, nascem mais quatro folhas
nos pontos mais distantes do meu coração
onde meus olhos separados
avistam a mesma paisagem
e onde meu futuro e meu passado
encontram-se sorrateiramente
onde as garrafas estão vazias,
os cadernos riscados,
os cigarros nos parapeitos,
os dedos cheios de calos.
E o amanhã é como uma roda-gigante
que por mais paradas faça
vai e sempre volta
nas voltas tatuadas
da pele quente e fria
que o passar do tempo faz.
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