E é quando eu convoco
o silêncio a ouvir meu corpo
e o vazio a sentir meu rosto
perder os membros estirados
numa maré de loucura
e estranheza...
Saciar a inércia na falta
e os ecos nas profundezas;
Fingir de pretas mangas
primavera nua de pele fria
e perder o rumo incerto
na profunda incerteza
de se desejar macia;
na insuportável cegueira,
de luz e trevas, que dança,
que arde, que ama.
E é quando eu invoco
o paganismo tão adorado
e a piedade do único deus
que despeja a débil companhia
da mortalha irremediável
de fome perdida...
E então, inundando de agonia
a falha cruel da realidade;
Desprezar dos ponteiros afiados
e o corte que abre da carne dócil
a perder o rumo incerto
na profunda incerteza
de não possuí-la,
tempestades de tantas coisas
que varrem a vida...
Não havendo sóis
e nem manhã de cada dia,
Orfeu, acaba de ser
e esvai em constelação fria.
Orfeu, Orfeu
e desaba o céu
na loucura de tristeza
que instala no peito dos deuses
e despedaça na alma do homem
Orfeu, Orfeu.
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