terça-feira, 8 de março de 2011

The song remains the same – In through the out door

[...continuação]


O corredor abandonado lembra aqueles frames empoeirados dos filmes de terror, mas não há ninguém no elevador ou quando a luz apaga. Térreo. Ele dá uma sacudidela e começa a descer, dando o mesmo enjôo de sempre. Não, não me acostumei ainda. O zunido abafado descendo quatro andares até que o enjôo pára e a luzinha automática da entrada acende. Os sacos de lixo estão pesados, cheios de embalagens e potes de café. Ignoremos as garrafas vazias e as cinzas esfaceladas. O latão fez aquele barulho de quem realmente não gostou de alguém jogando lixo dentro dele. Eu também não gostaria, mas mesmo assim me ligam de madrugada. Ou me encontram numa casualidade invejável. Casualidade não funciona pra encontrar a mulher dos seus sonhos. A minha tem um par de coxas incrível. Coloco um cigarro na boca e atravesso a rua pra comprar jornal. E outro isqueiro.


Nunca é cedo ou tarde demais pra ser quase atropelado, e, olha, não é por falta de atenção que sempre quase-acontece comigo. Quem sabe seja carma? Tá, é um conceito fodido de carma, mas que continue assim mesmo que não faça muito sentido. Um dia alguém sai da zona do quase. Ou um infarto me derruba sem sequer o carro encostar em mim. Na próxima esquina tem uma lanchonete/bar com pastel, cinzeiro, café, discrição e pros meus dias mais sombrios, cerveja ou uísque às seis e meia da manhã. Abro o jornal, enfio a bituca no cinzeiro e acendo outro cigarro. Dois pastéis, queijo e carne, e suco de laranja por favor. Não, não, só o suco. Brigado, Seu Dorival. O dono colocou o nome de Suco Bonham no suco de laranja com vodka por eu ter contado a nóia do John Bonham e do jeito que ele morreu. Ele me disse que foi o excesso de vitamina C que o matou. Eu não discordo, ele faz o melhor pastel (que eu conheço) da cidade e o segundo melhor café. Qual o primeiro? Depois eu conto. Mas não, não sou eu. Por isso eu preciso batizar. Começa a tocar Sky Blue Sky, do Wilco pela caixinha de som remendada escondidinha por detrás do balcão. E eu abro nas tirinhas enquanto a comida não vem.


 


[+]

Nenhum comentário:

Postar um comentário