[...continuação]
Falta uma frase pro último artigo. E o cliente foi bem claro quando pediu que terminasse com uma frase marcante. Quase uma kick line. De preferência na fuça. Eu enfrento todo e qualquer trampo como algo a ser bem realizado, merece essência. Se ficar vazio não convence, não informa, não porra nenhuma. O cinzeiro tá cheio e ficar enfurnado no quarto não vai me trazer a última frase de jeito nenhum. É assim que as coisas funcionam. Nunca ortodoxamente. Marca de suor na camisa e gosto de madrugada na boca. Falta pouco pra amanhecer e tudo o que o sol precisa agora é que eu tome um banho e saia de casa. Eu e o resto do mundo, Over The Hills And Far Away.
Acabei. Agora devia fazer alguma coisa. Talvez devesse tirar férias. Talvez devesse parar de fumar. Talvez devesse beber menos. A água pesava nos ombros enquanto tocava Sixteen no rádio. Relaxei os ombros e firmei o corpo contra a parede que deveria estar fria. E talvez estivesse. Iggy Pop na época do Lust For Life, mil novecentos e setenta e sete. Setenta e sete, repeti. O talvez é uma merda inconfundível. Tudo junto na mais escrota e incrível bola de neve já vista, mas o negócio não sobe nem desce. Fica no talvez. E talvez seja melhor assim. Show you my explosion, sweet sixteen, pãpã, pãnãnãnããã, a água escorre e leva metade do peso do mundo, Atlas agradeceria. Eu agradeço. O mundo recomeçou sua pane diária e os carros dos estacionamentos e do meio das ruas limpam suas gargantas secas. O sol aparece por detrás da janelinha apertada do banheiro, numa moldura tão pequenininha que caberia com folga na palma de uma só mão.
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