Meus pés se desfizeram junto da areia
de grão em grão e
o mar distante invadiu minha alma pra
carregar as vidas enterradas pra outro
lugar.
Minha dívida era essa e
me transformava em sal e água e
espalhava meu corpo pra favorecer os
peixes e as gaivotas, mesmo
que parecesse tão estranho. Jogava
meus braços pra todos os lados
e saciava minha profunda fome
de oceano engolindo um terço do silêncio,
dos monstros marinhos, dos deuses submersos,
dos corpos mitológicos das nereidas e sereias
e tritões ainda vivos.
Lia as palmas das mãos cheias de
destino não-cumprido e me queixava
espaçosamente ao infinito,
mergulhado em mim mesmo
completamente arrependido.
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