terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Interjeição

Lá fora
um céu azul.

cá dentro,
carquético e hermético,
recosta na janela

Num parapeito
que nem sequer Deus me livre.

Uma caixinha limita o horizonte
que não vejo.
Fora meus olhos, e paredículas, ridículas
de azulejo.

E nuvens empoleiradas nas laterais do
sol
zombam da prisão de nada
que me contém.

Céu,
gigante poça d'água do universo;
azul pra cacete.

e ainda há quem me mantenha
tão longe dele,

azul pra cacete.

ao quadrado da limitação
resta o que me desfaz.

Sem teto,
sem paz.

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