Não se sabe ainda o dia exato do fim do mundo. E mal se sabe se de fato vai acabar. Pode ser que sim, e não será a primeira vez que isso acontece. A aparente falta de qualquer anunciação chamativa talvez seja a prova de que não acabou. Tantas foram as vezes – e tantas mais serão -em que o mundo pôs-se a acabar. Já dizia João que não passaríamos do ano 500. E Nostradamus deu o prazo de validade terrestre: ano 2000. A nova aposta é a do calendário maia, que nos dá a referência do fim do mundo no ano 2012. Em 1910 passou o Halley, convocado por todos os tablóides a fim de ser o carrasco do nosso planeta. Disseram que sua cauda passaria perto do planeta, desintegrando as formas de vida existentes. E assim foi em 1914, com o anúncio de mais uma guerra na Europa. E em 1939, com outra guerra, no mesmo lugar. Astrônomos, astrólogos, astronautas, argonautas e até agrônomos, envolveram-se em previsões do apocalipse. Nenhuma realizada, de fato.
Estendendo a atual crise econômica ao ano de 2012, o fim global poderá cair nas mãos dos investidores e especuladores em geral. O preço de tudo nas alturas, numa inflação indeterminada da falta de vergonha e salário. Os políticos prometerão passagens ao céu, caso eleitos. Uns apontando os dez dedos ao céu, outros, nove. Os meninos e meninas celebrarão o domingo livre de missa, a manhã e tarde sem aulas e o fim do castigo. Mas logo vão perceber que jogar bola ou brincar de boneca e, mesmo futricar ao computador, não serão opções válidas. O servente, coitado, tentará imaginar um jeito de limpar toda a sujeira do fim do mundo. Tanto entulho, poeira e pedaço de gente. Talvez, limpar só com sabão não dê conta. As senhoras esperarão consternadas que o fim da novela chegue antes do fim da Terra. E, claro, viagens até a lua tornar-se-ão o ápice mundano: a última moda da última estação.
No momento próximo ao derradeiro – como previu Drummond - em que todos nós admitiremos uma tragédia cósmica como ferramenta do fim, a Terra e os cometas estarão chacoalhando de medo dos homens, pensando então, que seremos os verdadeiros e derradeiros carrascos. Os preços irão elevar-se às alturas, de onde, irão assemelhar-se a anúncios espaciais de “vende-se”. E num suspiro próximo ao considerado final, pagaremos a taxa por utilização de oxigênio, imposta nas últimas instâncias político-civis, por dez ou nove dedos, agora apontados para o bolso das calças. Instituído feriado mais-que-nacional: ‘O dia em que a Terra parou’.
Então, no momento final, não será nada mais que outra flatulência solar, deixando um dia de semana nos seus aproximados quarenta e poucos graus de aquecimento global. Estaremos todos recolhidos em nossas humildes residências, enquanto a dona de casa, ainda em desespero, cairá em proximidade de prantos.
E não haverá mais grave do que a dilacerante dúvida:
- Como comprar 100g de feijão?
Nenhum comentário:
Postar um comentário