Você pode amar e ser amado de maneira incondicional, ou ficar lamentando-se pela falta de gente à sua volta. É como realizar-se da maneira correta e sempre instável, insegura e falha. Ou simplesmente andar milhas e milhas sem considerar o efeito de qualquer intempérie no corpo, desconsiderar os tantos instrumentos vitais e presentes na vida, mas ter uma certeza séria, segura e austera: uma eternidade conformada e confirmada.
Atingir seus noventa e poucos anos com a aparência de um garoto ou garota de vinte e dois, sem nem ao menos ter vivido seus primeiros de vida. Morrer romântico por excelência, batendo forte no peito, assumindo seus berros contidos pelo travesseiro, na incondicional inexistência de um novo amor.
Que sempre vem, talvez meio que atraído por rugas invisíveis que apareçam lá na casa dos trinta. Traindo sua própria motivação do suicídio dos olhos que brilham sem que exista luz real em sua direção, apontando o caminho dito, redito, afirmado e confirmado: aluga-se. Alugue-se para o amor. Sem tempo determinado, com o aluguel de carinho e dedicação. Inquilinos vêm e vão. Nunca esquecer-se de reparar os estragos, afinal, ninguém alugaria uma casa com o banheiro de privadas arrancadas. De inquilino em inquilino, o imóvel ganha prestígio e tom colonial de peça conservada e resistente. O amor quer sempre novos quartos. Alugue-se, até que seja comprado de definitivo, ou vire memória inseparável de tantas outras residências.
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