sábado, 25 de julho de 2009

Conversa fiada: Movimentação

Em determinados ambientes uma das tarefas mais árduas de se realizar é a movimentação. Certos lugares contêm o que é conhecido como programa de índio. Como? Por exemplo, numa visita ao shopping. O programa de índio moderno é o passeio no shopping. Pior ainda se nos finais de semana. Local mais do que lotado, no qual só falta distribuição de senha para a utilização dos sanitários. A locomoção é praticamente impossível.

Transeuntes entram em algum tipo de transe, limitando-os a animais selvagens, na corrida pela sobrevivência. Mas, espere. Uma zebra correndo desesperadamente de uma leoa, que tem de alimentar sua fome ridiculamente grande e a de sua prole. Senhoras de idade, jovens sob o efeito de hormônios e solteirões de meia idade, não. E, se houver a necessidade de sentir-se nas ruas de Tóquio, às 7h de uma segunda, dirija-se à praça de alimentação. Não que exista algo realmente destinado à alimentação em si, mas são outros quinhentos.

Existiriam, talvez, algumas soluções. Circulação de pessoas com peças de roupa de tal cor em determinado horário, ou não. Mas com o jeitinho brasileiro, um descendente de alemães sem camisa poderia facilmente dispor de sua gama napolitana de cores: vermelho camarão, branco defunto e moreno mofo. Além claro, de sua camisa. Fora peças multicoloridas, que atravessariam os anos 70 inteirinhos até as vitrines, mais uma vez.

Então, o que fazer? Se no trânsito existe a via de circulação distinta, por que não tentar isso com a multidão de pernas de certos locais? Determinada faixa seria de uso das pessoas com compras e mais compras, ou seja, transporte de carga. Claro que grávidas, apesar de transportarem carga viva – quase como se escrito na lateral de um caminhão interiorano – teriam de utilizar outra faixa. Senhores e senhoras acima do peso teriam de seguir uma faixa de veículos pesados, assim como fazem ônibus ou caçambas vazias. Os jovens? Trânsito empacado e em diversas faixas. Quando uma adolescente frustrada pára no meio do caminho e retira o celular – não se sabe de onde – prepare-se para um engarrafamento.

Solteirões de meia idade? Trânsito rápido, claro. Existe a fiel necessidade de se manter uma rotatória devida. Se, ao acaso, encontrassem alguma parceira, mudariam ao transporte de carga. Casais andam, necessariamente devagar e, carregando ombro a ombro seus corpos. Idosos, uma faixa respeitosa para cada grau de senil locomoção, representando sua velocidade. Com superfície antiderrapante, claro. Passarela própria de deficientes físicos ou mentais, claro. Já os deficientes sociais, como vendedores que seguem seu passo e sua respiração nas lojas, poderiam reservar sua atuação a um pequeno círculo imóvel, num canto indefinido.

Depois de tudo isso, poderia você, leitor, perguntar-me:
E você, autor, onde fica?

Do lado de fora.

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