O armário entrebaerto
subentende
que há o vazio
dentro de alguma roupa
que foi vestida,
lama na sola dos sapatos,
amarugem, cabelos molhados
bainha encardida.
O armário entreaberto
subentente
loção pós-barba que pulsa
como veneno injetado diretamente
num pós leito de uma outra
mulher que dorme imortalmente
pelo tempo suficiente.
Os olhos fechados, dois pares,
de meias, de olhos, de sapatos,
de amantes
separados:
dois, distantes, se amam,
dois, esculpidos em brasa,
não são amados,
num vitral na beirada
da janela de uma praia qualquer,
subentende-se
nada.
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