sábado, 28 de novembro de 2009

A quem escreve

Minha vida
não cabe num disco

num outdoor
num papelete

numa manchete
numa coluna de jornal

em contreau
em vinte e cinco de
março

em antigo carnaval
em passos largos

em lugares alagados
em metrôs movimentados

em serpentear
da areia que dança no
chão.

E tudo
são crostas absurdas
cortes suturados

palavras imundas,
queimaduras de sol,
unhas encravadas

farpas, espinhos,
fraturas, espadas

e bolas de papel.

Minha vida cabe
na plana palma

da alma plena
da minha
mão

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