Ele deu uma longa tragada no cigarro, retirou da boca, segurou para fora da cama, batendo as cinzas num cinzeiro de um banco próximo. Ela simplesmente continuou o que fazia. Acarinhava seus cabelos, cabelos lisos e jogados. De alguma maneira, estariam penteados, um charme incomum. E gritavam a súplica do afago. Eram atendidos, a mão sempre retornava àquela cabeça. Ele tragou mais uma vez o cigarro, repetiu todo o movimento.
Se uma mulher atraente, não vulgar, te beija... Você não pode fazer nada além de beijar de volta. ? Simplesmente, aquele beijo pode levar a algo. E você realmente acha que uma transa é tudo? No caso, não é uma transa, foram várias. Não estava falando disso. ? Daqui pra um minuto, um dia, uma semana, um mês, uma década. Tudo pode estar acabado. E um beijo faria a diferença? Depende. Sexo faria?
Apagou o cigarro, beijou o pulso, dono da mão que o acalantava nos cabelos. Ela sorriu. Talvez ele tenha percebido, talvez não. Mas, de forma sutil e quase imperceptível, ela sorriu. Nós percebemos, o foco era o rosto dela. Queríamos alguma reação. E tudo aquilo parecia surrado, dentro de um lugar inatingível.
Tudo pra você, então, depende de uma estranha relação vagina-coração? Não necessariamente, mas é algo que se deve tentar, atingir o fundo. Nojento. Seria assim, se tentasse com todas elas, sem restrições. E então você simplesmente beija? Nem todo beijo é O beijo. E então, caso nunca apareça, tudo será resumido nessa média de uma garota a cada duas noites? Não, a solidão só existe pra quem abre os braços quando ela se aproxima. Então me diga, como você imagina sua vida daqui pra dez anos?
Ele fechou os olhos. Ela insistiu.
Talvez eu não precise de mais dez anos pra me apaixonar ou achar o amor da minha vida.
Ela mordeu os lábios, Ele tragou um novo cigarro, repetiu todo o movimento. Dessa vez, nem mesmo eu, ou você, ou ele percebemos. Mas não precisamos, é um sorriso mudo.
Estou grávida.
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