segunda-feira, 18 de julho de 2011

Quando

Quando você acha que as coisas acabam?
Coisas?
Ah, as coisas, você sabe, tudo.
Ah, todo momento.
Explica melhor?
Explico.
Agora, nesse exato momento, tudo que existe tá desmoronando. Seja em algum lugar tão longe que nem dê pra entender como chegar lá, como num lugar tão próximo que não dê pra imaginar como estar ali.
Tudo?
Tudo.

Quase silêncio e a areia juntando nas beiradas do corpo e fazendo barulho de saleiro esvaziando devagar. Último gole da vodka e os olhos lacrimejam. Acabou? Acabou.

E quanto mais percebemos algo que não havíamos percebido antes, ou quando conhecemos algo novo, o infinito cresce ainda mais e ao mesmo tempo deixa de existir.
Agora não entendi nada.
Olha, chega uma hora que você sabe que existem infinitos grãos de areia que estão por aí, um por cima dos outros e entre as frestas, nas praias, nas dobradiças, na pele, nos cantos, balançando e fazendo curvas engraçadas por cima do concreto rachado e tudo desse tipo.
Certo, e?
Daí que você percebe que uma coisa que é infinita é composta por uma repetição absurda e simples, e mesmo que você vá até o nada e volte, as frestas, praias, dobradiças, pele, cantos e curvas engraçadas por cima do concreto rachado e tudo desse tipo estará repleto e grãos de areia.

Ela tirou um uísque numa sacola de papel de dentro da bolsa, abriu e tomou um gole, passou a garrafa pra mim e o sol ficou de frente pra nós dois. Colocamos óculos escuros, acendemos cigarros e nos abraçamos, porque no inverno de certas coisas e de certos lugares, até as manhãs são frias.

Acho que entendi.
Pois é. O infinito tá acabando.
Agora?
Nesse exato momento.

Silêncio. e a garrafa vai embora rápido.

Tá na hora de ir pro aeroporto, né?

Ela olha pro relógio, faz que sim e apaga o cigarro gargalo adentro.

E agora?
A gente procura outro infinito pra acabar.

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