domingo, 3 de outubro de 2010

Duas garrafas de cerveja (e incontáveis outros passos).

Os olhos continuam fechados e o apito do trem sobe pelas bordas do abismo. É exatamente isso que distingüe ao olhar pra parte inferior com os olhos fechados os globos tremendo e as córneas apontadas pra cavidade da própria cabeça.

- Hm, uhum, claro, claro.

-Você tá ouvindo?

-Claro que tô, relaxa. Só tô com os olhos meio irritados.

-Mesmo?

-Porra, relaxa.

-Tá ardendo?

-O que?

-Os olhos, cacete.

-Ah, sim, sim. Continua com a história.

-Onde eu parei mesmo?

-Ele ligou pra ela de madrugada e...

-Ah, sim... Então começaram a discutir e

Ouvir tudo mesmo sem dar qualquer importância. Fingir importância. É tão errado assim inventar mentiras e acreditar que elas são reais? Convencer inclusive a si mesmo é uma condição menos trabalhosa. E sincera.

Tão longe, tão longe, não sabia nem a distância, de tão longe.

-Acredita nisso?

-Maior sacanagem.

-Não é?

Não que não se importasse. Prefere acreditar que se importa a concordar que é egoísta.

-Se estivesse nessa situação o que você faria?

-Iria embora.

Abre os olhos e está a quilômetros de distância.

Sua consciência diz o passado não lhe pertence mais.

-É mais fácil se convencer que coisas assim dão certo.

-Credo. Pior que pensando bem até faz sentido. O que você vai fazer agora?

- Me convencer disso.

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