domingo, 22 de maio de 2011

The song remains the same - Presence (segunda parte)

Pouco tempo depois larguei a faculdade e todas as besteiras ligadas à ela (mas mantive a carteirinha pra comer os bandejões diários) e passei a trabalhar como freelancer da empresa, agenciado pelo meu antigo chefe, uma lenda do jornalismo e um ótimo amigo, que me ensinou a fumar descontroladamente e a escutar Bob Dylan de vez em quando. E conforme recebia propostas melhores pra projetos e textos melhores e mais importantes (e mais bem pagos), selecionava estrategicamente os de prazo mais apertado e guardava de pouco a pouco pequenas partes das comissões e pagamentos e bonificações mensais pra investir em alguma coisa. A primeira alguma coisa a se investir foi um carro pequeno, barato, usado e incrivelmente econômico, meu meio de transporte eterno, que eu talvez largue quando ele quebre de vez. Talvez.


Comprei um teclado antigo e voltei a praticar. Arrumei mais uma vez a discografia do Led, agora em CDs, e aos poucos voltava à velha forma. Ganhei do Augusto, filho do seu Vieira, agora dono da empresa do falecido pai, a discografia do Dylan que pertencia ao seu pai. Tornamo-nos bons amigos, principalmente de longas e duradouras noites nos bares pela cidade. Acabou que lhe apresentei Marina, uma antiga colega de faculdade e os dois namoraram por muito tempo até acabarem noivando. Depois, com outros dois ex-freelancers, Rômulo e Tereza, e finalmente um advogado homossexualíssimo, Beto ( que conhecemos tentando apartar uma briga séria entre ele e dois marmanjos bêbados que insistiam em chamá-lo de viadinho – que apanharam, claro, afinal pouca gente consegue não apanhar pra um mestre em artes marciais), juntamos, digamos, um grupo digno de bebedeiras inconseqüentes e freqüentes.

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