sábado, 4 de dezembro de 2010

Num dia qualquer

Fiquei dentro dela por mais alguns segundos. Esses, meus amigos, são momentos cruciais. Senti seu corpo tremendo devagar. Senti sua respiração ofegante. O coração batendo forte. De olhos fechados e boca aberta, suas pernas ainda tremiam um pouco. Ainda me segurava pelos braços com os dedos afundados na carne. Passei os dedos no seu rosto tirando a mecha de cabelo da frente do nariz e beijei uma das pálpebras fechadas e relaxei o corpo. Pálpebras fazem parte do conjunto nunca antes completamente numerado de partes altamente beijáveis no corpo de uma mulher. E as reações são variáveis. Mas sempre positivas, satisfação garantida ou seu dinheiro de volta. Passei a mão em seus cabelos. Ela relaxou o corpo, soltou meus braços e me abraçou pelo pescoço e pela cintura. Puxei os quadris pra trás e ela me soltou e se enrolou no lençol, abriu os olhos e sorriu. Levantei, fui até o banheiro, tirei a camisinha, dei o nó e joguei no lixo. Lavei as mãos, o rosto suado e voltei pro quarto. Estava de calcinha sentada no beiral da cama, fumando.

Cigarro? – mostrando a carteira pra mim.
Não, valeu.
Se quiser – tragou – pode fazer café.
Você também quer? vestindo as calças.
Claro – soltando fumaça.

Fui até a cozinha, abri o mesmo armário de sempre e peguei as mesmas coisas de sempre. Sempre gostei de café forte. Era o melhor jeito de se fazer e de se tomar. Meu pai me dizia que era café de homem de verdade. Não sei se quantidade de cafeína atesta masculinidade. Mas de qualquer maneira eu tomava muito café, forte. Não há muito segredo sobre como tratar pessoas, sobre como agir a respeito dos outros. Não foram muitas garotas. Na verdade foram pouquíssimas. Um ponto importante em todo e qualquer caso é saber fazer um bom café, caso ela goste. Não adianta ter pau e saber (ou não) usá-lo e saber dizer as coisas certas nas horas certas e escolher bem e tudo mais. Existem lições valiosíssimas que só uma xícara de café pode lhe ensinar. E que o café seja forte o suficiente pra tudo isso.

Não conheço ninguém que faça café tão bom quanto você. (eu disse. Não disse?)
Eu também não.
E também não conheço ninguém tão pretensioso.
É... – tomando um longo gole – eu também não.

Ela riu e encheu a xícara mais uma vez.

Um comentário:

  1. "Existem lições valiosíssimas que só uma xícara de café pode lhe ensinar. E que o café seja forte o suficiente pra tudo isso." :)

    ResponderExcluir