terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Bodoque

Nove décimos de mim já morreram, mas eu guardo o décimo restante como uma arma. Não há mais munição. Não a mesma munição que

eu guardava entre os dentes
esperando as cápsulas de mercúrio percorrerem
o céu. O céu deprimente.

Não há mais estrelas
o tempo está - realmente -
fechado e eu acho que

não faz a mínima diferença
qual o calibre das trombetas ou

se os deuses são bons de tiro,
morram-me os alvos, todos.

O que restou do meu coldre
sem armas de fogo

cabe no último suspiro
do duplo cano do meu próprio paraíso.

O que restará?
 
Vão cheirar todo o pó
e não vai sobrar pó

pra homem nenhum
retornar. O que será? Resta

 a mim
estar comigo.

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