domingo, 5 de dezembro de 2010

Depois

Hoje cortei minhas mangas
e meus cabelos e os alfinetes não me

poem os cotovelos enquanto
eu disparo contra o céu
de olhos abertos.

Ainda parece setembro
e o outono é frio e abafado,
não há meio termo e

o céu é um campo aberto

os corvos estão famintos
e eu sinto pena do trigo

e dos cadáveres das nuvens
estirados todos azuis

contra o velho milharal sem cor.

O improvável me
condena e me destrói

enquanto eu
só consigo ser ambíguo e
imoral. Enquanto o depois

é mais uma mentira
absurda e descrente.

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