Chega um ponto que o silêncio não é nada mais que um mar de pálpebras, e tanto faz se permanecem abertas ou fechadas, elas simplesmente permanecem. Gole de cerveja. Sem querer, as pessoas que vivem sozinhas criam vários rituais (li isso alguma vez). O meu é sentar junto da janela e beber cerveja, de gole em gole. Na falta de tais rituais, nem eu e nem essas outras pessoas conseguiríamos sobreviver. Isso também está por aí, escrito junto com todo o resto. Mas é do tipo de verdade que já existe de qualquer maneira, tendo alguém a lido ou não. Permanecer assim me faz pensar que até minha inconstância tenha se tornado constante.
Não estou velho (estou?). Só cansado, cansado pra muitas das coisas das quais os dias são feitos, se é que isso faz algum sentido. Talvez eu esteja velho, mas só pra essas coisas. Talvez minhas pernas não sejam mais as mesmas e também não valha mais a pena caminhar certas distâncias pelos mesmos motivos de antes. Mas, bem, ainda existem bons motivos pra se correr por aí, afinal é isso que uma porção de gente faz, correr. Gole de cerveja. Não corro muito, só no mais urgente dos casos, raros. Um dia decidi que deveria demorar pra chegar em casa e que não haveria ninguém me esperando. E deu certo pra todos os outros dias, não como possível solução, mas, gole de cerveja, como sintoma da minha velhice opcional e intermitente... mas, sim, já é outra viagem e o meu coração selvagem tem essa pressa de viver.
as pessoas que vivem sozinhas criam vários rituais..fato!
ResponderExcluirBelchior marcando presença.