Nada realmente é de uma intensidade aceitável. Às vezes nada é demais, às vezes nada é pouco demais. O que você tem de fazer é se acostumar com isso, com a regularidade antes inaceitável. Nada é realmente proporcional até que você compare com alguma coisa, dores de cabeça, transas, porres, o silêncio que fica a última rua da última cidade à meia noite. Ou a falta de tudo isso. Daí eu me esforço, sinceramente, mas existem cervejas na geladeira e aquele livro que eu tenho de ler se torna uma merda tão insignificante que mesmo estando debaixo da luz branca e de pernas abertas em cima da cama não acontece. Não é qualquer tipo de coisa que dá tesão. À vezes não dá pra explicar. É a luz do sol que bateu de um jeito diferente enquanto você estava sentado no quinto banco do lado esquerdo do ônibus e o pau fica duro. Outras vezes... bem, de todas as outras vezes todo mundo sabe (até quem não tem pinto).
O gosto de alumínio dá pra ignorar. Mas existe, e esse é o problema das latas pequenas. Uma hora o livro vai cansar e fechar as pernas. Peguei um Bukowski e comecei a ler, porque a melhor foda é aquela que escolhe você. Bach, no cello, por Pierre Fournier. Já me disseram que ele não é exatamente o melhor intérprete de Bach no cello. Acho o contrário. Até porque, se for isso mesmo, isso o torna, automática e realmente, o melhor intérprete. Assim como o gosto de alumínio nas latas pequenas. E a cerveja é tão boa que o alumínio torna-se irrelevante, ela não esquenta mesmo que você enrole escrevendo besteiras e perdendo tempo ao perceber que já é (ou ainda é) três e meia da matina. E não sei bem se isso já é tão aceitável assim.
Bukowski, O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio. Prefiro manter a loucura padrão das coisas. Inclusive permanecendo calado até quando estou falando. Não tento parecer tão frio como o silêncio. Mas é inevitável permanecer inconclusivo, silencioso. O livro continua lá, não adianta. Acaba a bebida, a hora passa e chega um ponto em que por mais que você trabalhe já não dá pra render na mesma foda. Daí é o time out. Você toma um banho, estica as pernas, encosta na parede e paralisa todos os músculos relaxados debaixo d’água, risca obscenidades no box molhado, escova os dentes, coloca uma roupa e sai. E é aí que os marinheiros tomam conta do navio.
_e é aí que que você permanece falando, mesmo calado.
ResponderExcluirPrefiro manter a loucura padrão das coisas. Inclusive permanecendo calado até quando estou falando.
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