quarta-feira, 21 de julho de 2010

Décimo Segundo

Hoje, dormi ao som da chuva
esperando por dezembro.

Ninguém bateu à porta,
o telefone não tocou,
a telepatia estava muda
e não haviam pombos voando.

Acordei aos poucos do sono antrópico
esperando por dezembro.

Não haviam pegadas na entrada da casa,
os corpos e pratos e talheres permaneciam
inalterados, no armário,]
as luzes estavam todas apagadas
e a televisão estava fora do ar.

Ainda falta tempo pra dezembro
e chegam cartas, pessoas, mensagens,
vestígios
por toda a casa

quando, na verdade, esta,
estará vazia até a véspara do
dia primeiro

enquanto chove e se escutam sorrisos
na lateral das fotografias e xícaras
emborcadas, e o diagnóstico

é a espera incalculável.

Finalmente realmente dormindo,
o incansável não-insônie,

enquanto o quando
não for dezembro.

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